
Índice
- 1. Introdução
- 2. Alguns conceitos espirituais
- 3. Eutanásia – uma perspectiva spiritual
- 3.1 Capacidade de praticar a espiritualidade
- 3.2 Nível espiritual
- 3.3 Estado vegetativo permanente
- 3.4 Uma perspectiva sobre os recursos utilizados para manter uma pessoa viva quando ela não tem chance de recuperação.
- 3.5 Obstáculo na prática espiritual:
- 3.6 Uma perspectiva sobre o sofrimento e a perda da dignidade.
- 3.7 Uma perspectiva sobre o direito de morrer
- 4. Eutanásia e pecado
- 5. Eutanásia e momento da morte
- 6. O que pode ser feito por um paciente terminal em cuidados paliativos?
- 7 Resumindo
1. Introdução
Todos os dias, famílias e médicos em todo o mundo precisam tomar a decisão dolorosa de deixar ou não um ente querido morrer intencionalmente para aliviar o seu sofrimento. Isso é comumente conhecido como eutanásia. As leis relativas à eutanásia variam de país para país.
Derivada de uma palavra grega que significa literalmente “boa morte”, a eutanásia vem em várias formas e as seguintes são algumas das suas definições:
- Eutanásia voluntária: refere-se às ações tomadas pelo médico e pelo paciente, que concordam (depois de esclarecimentos do ato) em pôr fim à vida do paciente. Isso se aplica apenas ao paciente que está sofrendo de forma irreversível e que solicitou insistentemente ao médico que o fizesse. (Ref: Medterms.com)
- Eutanásia não voluntária: ocorre quando a pessoa não consegue solicitar a eutanásia (talvez esteja inconsciente ou incapaz de se comunicar) ou de fazer uma escolha significativa entre viver e morrer. Nesse caso, uma pessoa apropriada toma a decisão em nome da pessoa que está morrendo, talvez de acordo com seu testamento vital ou desejos previamente expressos. Situações em que a pessoa não consegue tomar uma decisão ou não consegue expressar seus desejos incluem casos em que:
- a pessoa está em coma.
- a pessoa é muito jovem (por exemplo, um bebê muito pequeno).
- a pessoa é senil.
- a pessoa tem problemas mentais muito graves.
- a pessoa sofre de danos cerebrais graves.
- a pessoa sofre de distúrbios mentais de tal forma que precisa ser protegida de si mesma). (Ref: About.com).
- Eutanásia Ativa: Causar intencionalmente a morte de uma pessoa por meio de uma ação como administrar uma injeção letal.
- Eutanásia Passiva: Causar intencionalmente a morte por não fornecer os cuidados necessários e gerais/ordinários (usuais e costumeiros), como a comida e a água.
A eutanásia continua sendo um tema de controvérsia e debate. O Medterms.com resume o debate: “Este assunto é uma questão sobre a qual as posições variam amplamente e incluem defesa entusiástica, aceitação cautelosa, rejeição total e condenação veemente, equiparando a eutanásia ao assassinato.”
2. Alguns conceitos espirituais
Neste artigo, abordamos a eutanásia puramente de uma perspectiva espiritual. No entanto, antes de tentarmos entender o ato da eutanásia sob uma perspectiva espiritual, vamos nos familiarizar com alguns conceitos espirituais.
2.1 Destino
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O destino é aquela parte de nossas vidas sobre a qual não temos controle. Todos os eventos importantes em nossa vida geralmente são eventos predestinados. Para mais informações sobre o destino, consulte nossa seção sobre o assunto.
2.2 Propósito espiritual da vida
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De acordo com uma perspectiva espiritual, existem duas razões genéricas pelas quais nascemos. Essas razões definem o propósito de nossas vidas no nível mais básico. São elas:
- Para cumprir nosso destino e a regra de dar e receber que temos com várias pessoas.
- Fazer progresso espiritual com o objetivo final de se tornar um com Deus e, assim, sair do ciclo de nascimento e morte.
O nascimento humano é muito precioso. Isso porque, quando estamos no plano terrestre (Bhūlok), temos a melhor oportunidade para o progresso espiritual. Consulte o artigo sobre o propósito espiritual da vida.
2.3 Conceito de hora da morte
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Todos nós temos que morrer em algum momento e isso é decidido de acordo com o nosso destino. Em nossas vidas, de acordo com o nosso destino, existem alguns períodos de tempo predestinados nos quais podemos morrer. Como uma pessoa morre, pode variar e não é necessariamente predestinado. Por exemplo, em um período de tempo predestinado, se uma pessoa está destinada a morrer, ela morrerá. No entanto, os meios pelos quais ela morre podem ser através do processo de eutanásia, suicídio assistido ou por razões médicas normais. Em casos de Mahamrutyuyoga (morte definitiva), raramente é a eutanásia ou o suicídio assistido ou suicídio que é a causa da morte. Deus providencia a morte de uma forma natural. Pessoas que têm mortes violentas geralmente o fazem de acordo com seu destino.
Consulte o artigo sobre ‘Hora da morte’.
3. Eutanásia – uma perspectiva spiritual
Nesta seção, analisamos alguns pontos de vista, que nos darão uma perspectiva adicional, caso nos deparemos com a possibilidade de eutanásia em nós mesmos ou em nossos entes queridos.
Ao pesquisarmos sobre este artigo, deparamo-nos com o site de ética da BBC, que declarava:
A eutanásia é contrária à palavra e à vontade de Deus. “As pessoas religiosas não argumentam que não podemos nos matar, ou pedir a outros que o façam. Elas sabem que podemos fazê-lo, porque Deus nos deu o livre-arbítrio. O argumento delas é que seria errado fazê-lo.
“Elas acreditam que todo ser humano é uma criação de Deus e que isso nos impõe certos limites. Nossas vidas não são apenas nossas, para fazermos o que bem entendermos.
“Suicidar-se, ou pedir a alguém que o faça por nós, é negar a Deus e negar o direito de Deus sobre nossas vidas, o direito Dele escolher a duração e a forma como nossas vidas terminam.”
Ref.: BBC sobre Eutanásia
Comentário do editor:
- Esta é uma maneira muito superficial e simplista de encarar a eutanásia. Se encararmos nossas vidas pelo caminho da Devoção (Bhaktiyoga), não há nada que possa nos acontecer sem a vontade de Deus. Deus tem o direito total sobre nossas vidas e não há nada que possamos fazer para transcender esse direito.
- De acordo com o Caminho da Ação (Karmayoga), 65% das ações das nossas vidas são predestinadas e 35% são resultados do livre-arbítrio. A decisão de praticar a eutanásia nem sempre é baseada no livre-arbítrio, e muitos fatores espirituais podem influenciar o resultado da nossa decisão.
3.1 Capacidade de praticar a espiritualidade

Em concordância com o nosso propósito espiritual de vida, se o paciente for capaz de realizar a prática espiritual, recomenda-se que não se submeta à eutanásia. Isso ocorre porque é mais fácil praticar espiritualidade em um corpo físico do que em um corpo sutil. Nas regiões sutis do Mundo Inferior (Bhuvaloka) e do Inferno (Pātāl), a experiência de sofrimento é muito maior do que no plano da existência terrestre. Nessas regiões sutis, os corpos sutis têm pouca ou nenhuma felicidade. Essa intensidade de sofrimento só aumenta à medida que se vai para as regiões inferiores do Inferno e a capacidade de realizar a prática espiritual diminui.

Observe:
1. Para simplificar, embora tenhamos mostrado os planos de existência um sobre o outro neste diagrama, na realidade eles estão ao nosso redor em todas as direções. Acontece que a Terra, por ser o plano fisicamente tangível, é visível; enquanto os outros planos são progressivamente mais sutis e, portanto, invisíveis ao olho físico. De fato, diferentes pessoas, mesmo vivendo no plano terrestre, experimentam pensamentos e emoções correspondentes aos diferentes planos de existência, de acordo com seu nível espiritual ou pensamentos. Por exemplo, os Santos, ou seja, pessoas espiritualmente evoluídas além do nível espiritual de 70%, levam uma existência correspondente aos planos positivos da existência do Céu e além. Em contraste, uma pessoa planejando um roubo experimenta pensamentos correspondentes ao 1º plano do Inferno, uma que planeja algum ato com o objetivo de prejudicar os outros no 2º plano do Inferno e assim por diante, e uma pessoa planejando um assassinato experimenta pensamentos correspondentes ao 7º plano do Inferno. No entanto, não é possível experimentar dois planos de existência simultaneamente, ou seja, uma pessoa não pode experimentar pensamentos correspondentes a dois planos diferentes, por exemplo, o Céu e Mahārlok.
2. A região que não pertence a nenhuma (Bhūvarlok), para ser mais preciso, é uma região que se afasta de Deus. No entanto, a descrevemos como um plano positivo, pois os corpos sutis dessa região ainda têm a chance de nascer na Terra e progredir espiritualmente. Uma vez que os corpos sutis regridem para qualquer uma das regiões do Inferno, existe uma remota possibilidade de nascerem na Terra e progredirem em direção a Deus.
Ao contrário da crença popular de algumas das principais religiões, na era atual de Kaliyug, menos de um por cento das pessoas vão para a região sutil do Céu (Swarga). Na região sutil do Céu, como os corpos sutis estão completamente envolvidos em desfrutar o fruto de seus méritos, os corpos sutis se esquecem da prática espiritual. É apenas nas regiões sutis de Maharlok e superiores, para onde menos de 0,1% das pessoas vão após a morte, que a prática espiritual acontece. Além disso, um corpo sutil nas regiões sutis da região Nenhuma (Bhuvarlok) e abaixo, enfrenta mais ataques de fantasmas de nível superior do que uma pessoa no plano físico de existência da Terra. Consulte a seção “Para qual região sutil os corpos sutis provavelmente irão após a morte”.
Em suma, não há benefício espiritual para um paciente comum, em pedir a eutanásia como forma de morrer. Acelerar a morte não equivale à capacidade de praticar a espiritualidade nas regiões sutis do Universo, nem a suportar menos dor. Contudo, uma pessoa pode obter méritos dependendo do motivo pelo qual solicita a eutanásia.
Consulte a Seção 4.2 Pecado cometido pela pessoa que pede para morrer em eutanásia voluntária.
3.2 Nível espiritual
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Para uma pessoa em coma ou em um estado vegetativo permanente, o subconsciente da mente permanece ativa, assim como o centro da regra de dar e receber. No caso de alguém que pratica a espiritualidade de acordo com os seis princípios básicos e que atingiu um nível espiritual de 50 a 60%, essa prática continua no subconsciente. Contudo, se a pessoa não estiver firmemente estabelecida na prática espiritual antes de entrar em coma, é impossível iniciá-la durante este estado. Para uma pessoa com nível espiritual médio, em fase terminal, mas com as faculdades mentais intactas, concentrar-se na prática espiritual trará benefícios na vida após a morte e reduzirá o sofrimento antes do falecimento. Embora isso seja teoricamente possível, é difícil iniciar a prática espiritual de acordo com os seis princípios básicos quando se está em fase terminal e sofrendo. Os cuidados paliativos podem ser úteis nessa situação – consulte a seção sobre cuidados paliativos.
Consulte a palestra do SSRF sobre a natureza funcional da mente e como funciona o canto
3.3 Estado vegetativo permanente
Que perspectiva devemos manter quando um ente querido está em estado vegetativo permanente, sem esperança de recuperação?
Uma pessoa (paciente) vive esse tipo de situação de acordo com seu destino. O impacto é sentido tanto pelo paciente quanto pelos familiares. Isso depende da regra de dar e receber entre o paciente e as pessoas envolvidas em seus cuidados. Se a vida do paciente for interrompida antes que essa troca seja resolvida, ou que as unidades de sofrimento sejam completadas conforme seu destino, ele terá que enfrentar isso em outra vida. Portanto, embora possamos acabar com a dor nesta vida, ela terá que ser enfrentada em uma outra vida futura. A mudança que pode ocorrer na próxima vida se dá na duração ou intensidade do problema. Por exemplo, nesta vida, devido ao ato de eutanásia, uma pessoa e seus familiares podem ter sido poupados de 10 unidades de sofrimento distribuídas ao longo de cinco anos. Em uma vida subsequente, esse número poderia mudar para 25 unidades de sofrimento distribuídas ao longo de dois anos.
Além disso, os familiares precisam refletir sobre o verdadeiro motivo que os leva a desejar a eutanásia para o paciente. Por exemplo, é para a própria felicidade, ou simplesmente porque não têm tempo e querem seguir em frente com suas vidas mundanas, ou ainda porque desejam dedicar seu tempo à disseminação da espiritualidade? Dependendo da intenção, os familiares podem obter méritos ou deméritos com sua ação, ou até mesmo transcender a lei do carma.
Consulte o artigo – Causas espirituais profundas das dificuldades na vida
3.4 Uma perspectiva sobre os recursos utilizados para manter uma pessoa viva quando ela não tem chance de recuperação.
Os responsáveis pelas decisões médicas enfrentam dilemas morais difíceis ao escolher entre as demandas concorrentes e as limitações dos recursos. Qual o sentido de uma pessoa em estado vegetativo (sem esperança de recuperação) quando esses recursos poderiam ser ultilisados para outras pessoas necessitadas?
Os seguintes pontos ajudarão a fornecer uma perspectiva espiritual sobre este assunto.
- O propósito principal de nossas vidas é praticar a espiritualidade e progredir espiritualmente. Se uma pessoa for capaz de praticar a espiritualidade ou aceitar tratamento de cura espiritual em cuidados paliativos, a vida deve ser prolongada. Consulte a Seção 6 – O que pode ser feito por um paciente terminal em cuidados paliativos?
- Se o acima exposto não estiver acontecendo, então é melhor deixar a pessoa optar pela eutanásia, para que os recursos possam ser usados para ajudar outras pessoas que possam praticar alguma atividade espiritual. Isso está de acordo com o princípio espiritual de que cuidar da sociedade é mais importante do que cuidar das necessidades de uma única pessoa.
3.5 Obstáculo na prática espiritual:
Às vezes, familiares podem considerar a eutanásia para uma pessoa em estado vegetativo permanente se cuidar do paciente for um obstáculo à sua própria prática espiritual. Se a intenção for puramente usar o tempo e os recursos para aprimorar a prática espiritual, a proporção de pecado incorrido é mínima.
3.6 Uma perspectiva sobre o sofrimento e a perda da dignidade.
Alguns pacientes podem preferir a morte à dependência, pois detestam depender de outras pessoas para todas as suas funções corporais e a consequente perda de privacidade e dignidade. Para um buscador de Deus, esse período desafiador pode ser usado como um meio de reduzir o ego e a consciência corporal/apego ao próprio corpo, promovendo assim o progresso espiritual. Tanto o ego quanto a consciência corporal são obstáculos ao progresso espiritual.
Em 2008, Sua Santidade Pethe Aji, uma Santa que praticava espiritualidade sob a orientação da SSRF, sofreu um derrame que a deixou semiparalisada e dependente de outros buscadores para suas necessidades diárias até sua morte, quatro meses depois. No entanto, nesses quatro meses, devido ao seu intenso foco na prática espiritual, ela conseguiu aumentar seu nível espiritual em 4%, ou seja, de 74% para 78% no momento da morte. Além disso, os buscadores que cuidavam dela experimentaram cura espiritual simplesmente por estarem a Seu serviço. Citamos este exemplo como um testemunho de como as provações da vida podem ser usadas em nosso benefício espiritual. A mesma taxa de crescimento espiritual também ocorreu no caso de outros buscadores de Deus durante seu estágio terminal de doença.
3.7 Uma perspectiva sobre o direito de morrer
Muitas pessoas acreditam que cada indivíduo tem o direito de controlar seu próprio corpo e sua vida e, portanto, deve poder determinar quando, de que maneira e por quem irá morrer.
É preciso compreender que, segundo o Caminho Espiritual da Devoção, nada acontece no Universo sem a vontade de Deus. Seria melhor se essas mesmas pessoas exercessem seu direito de tentar progredir espiritualmente, que é a razão pela qual recebemos esta vida.
4. Eutanásia e pecado
Geralmente, todas as nossas ações nos conferem méritos ou deméritos, ou uma combinação de ambos. Dependendo dos nossos méritos e deméritos e do estado do nosso ego, vamos para diferentes regiões sutis do Universo após a morte. Por exemplo, uma pessoa com muitos méritos pode ir para a região sutil do Céu, enquanto uma pessoa com muitos deméritos pode ir para uma das 7 regiões sutis do Inferno. Por trás de cada ação, a intenção é um aspecto importante para decidir se uma pessoa colhe méritos ou deméritos dela.
A gravidade de um pecado ou demérito e a subsequente liquidação de uma conta não é uma simples equação matemática do tipo 1+1=2; ela involve uma consideração complexa de muitos fatores, que incluem os seguintes:
- Intenção por trás do ato. (a intenção por trás de qualquer ato deve estar alinhada com uma perspectiva espiritual e não com um ponto de vista sectário.)
- Situação naquele momento
- Angústia enfrentada pela pessoa e pelas pessoas afetadas pelo ato
- Nível espiritual da pessoa que cometeu o ato
- Equilíbrio a ser estabelecido ou estabelecido
- Tipo de pessoa/entidade prejudicada (uma pessoa comum, um buscador de Deus, um Santo, uma organização espiritual etc.).
4.1 Pecado cometido pela pessoa que auxilia na eutanásia
No caso da eutanásia, se um médico, com as melhores intenções, se esforça para aliviar o sofrimento intenso de uma pessoa, então esse ato acarreta méritos e deméritos para o médico. Dependendo da intenção por trás da prática da eutanásia ou do suicídio assistido, a proporção de méritos e deméritos para o médico se altera. Os exemplos a seguir ilustram a intensidade dos méritos e deméritos decorrentes de diversos atos meritórios e demeritórios em uma escala de 1 a 100.
- O mérito máximo que se pode obter é salvar a vida de um santo (100%)
- A penalidade máxima que alguém pode receber é quando tira a vida de um Santo. Isso se aplica especialmente no caso de um Santo que está ativamente envolvido na propagação do Dharma (Retidão) (100%)
- No caso de um médico que participe na eutanásia ou suicídio assistido com a única intenção de aliviar a dor de uma pessoa comum, a proporção de méritos para deméritos é de 1% de mérito e -1% de demérito.
A razão pela qual existem deméritos é o ato de tirar uma vida. Um nascimento humano é precioso, pois nos dá a oportunidade de praticar a espiritualidade para alcançar nosso objetivo espiritual na vida. Consulte a seção – Com que frequência renascemos?
Como discutido anteriormente, este é o único plano de existência no Universo (Céu e abaixo) onde as pessoas podem realizar práticas espirituais. Quando ocorre o assassinato de uma pessoa que não pratica nenhuma prática espiritual, ela é privada da capacidade de praticá-la e, portanto, as consequências negativas são muitas.
Do ponto de vista de quem busca a Deus, é importante que sejamos capazes de transcender tanto os méritos quanto os deméritos, pois ambos nos mantêm no ciclo de nascimento e morte. Isso só pode ser feito por meio da prática espiritual. Consulte o conceito de akarma-karma.
4.2 Pecado cometido pela pessoa que pede para morrer em eutanásia voluntária
Se uma pessoa consciente pede para morrer, também se comete um pecado se o ato de eutanásia for realizado. Analisando com uma perspectiva espiritual, mesmo que uma pessoa que esteja sofrendo (sem esperança de recuperação) tirar a própria vida com a ajuda de outra pessoa, isso é considerado suicídio. A gravidade do pecado, no entanto, depende da intenção por trás do pedido de eutanásia. Em alguns casos, uma pessoa pode até obter méritos dependendo de sua intenção ao pedir a eutanásia.
A atitude de uma pessoa com uma doença terminal varia dependendo do seu nível espiritual.
- Se uma pessoa estiver acima de 50% do nível espiritual, sua atitude será “deixe tudo acontecer conforme a vontade de Deus”. Nesse caso, ela adota uma postura mais de observadora em relação à sua dor e às situações adversas.
- Em um nível espiritual mais baixo, sua atitude será principalmente de acordo com seus próprios desejos.
Seguem alguns exemplos da proporção de méritos versus deméritos incorridos por uma pessoa que pratica eutanásia, dependendo da intenção da pessoa:
Intenção por trás da eutanásia e proporção de méritos e deméritos
| Intenção | Méritos e Deméritos |
|---|---|
| Eu simplesmente não quero mais sentir dor. | Mais deméritos |
| Mentalmente deprimido com a situação e dor intensa. | Menos pontos negativos |
| Para que os recursos que estão sendo gastos comigo, sem que eu tenha esperança de recuperação, possam ser gastos com outra pessoa. | Mais méritos |
| Para que quando eu morrer eu possa nascer de novo mais rápido e continuar minha prática espiritual. | Mais méritos, mínimos deméritos |
5. Eutanásia e momento da morte
Em uma seção anterior, discutimos o conceito da hora da morte. Se a hora de uma pessoa morrer chegou, de acordo com a “Morte Definitiva” (Mahamrutyuyoga), então nenhum obstáculo legal pode contornar a morte. O modo de morte pode ser qualquer um, como a eutanásia ou a morte por doença.
Isso ficará mais claro em um artigo de notícias de fevereiro de 2009 sobre eutanásia:
Uma mulher no centro do debate sobre o direito à morte digna na Itália foi transferida para uma clínica onde poderá morrer após 17 anos em estado vegetativo desde um acidente de carro em 1992. Seu pai luta na justiça italiana desde 1999 para que ela possa morrer, insistindo que era seu desejo. Em julho, um tribunal de Milão decidiu que os médicos comprovaram que seu coma era irreversível. O tribunal também reconheceu que, antes do acidente, ela havia expressado preferência por morrer em vez de ser mantida viva artificialmente. O Ministério Público recorreu da decisão, mas o Tribunal de Cassação de Roma considerou o recurso inadmissível em novembro. O Ministério da Saúde italiano emitiu então uma ordem proibindo todos os hospitais da região de interromperem o suporte vital, mas essa medida foi anulada por um tribunal de Milão em 21 de janeiro. Uma clínica geriátrica privada em Udine, então, afirmou que a receberia e permitiria que ela morresse.
Uma análise detalhada da notícia acima:
- Todos os eventos importantes em nossas vidas são predestinados. O acidente de carro que deixou essa pessoa no estado vegetativo estava de acordo com o seu destino.
- Quando ela sofreu o acidente em 1992, era o período da ‘possível morte’ (Apamrutyuyoga)
- Durante muitos anos, seu pai lutou para que ela morresse, mas sem sucesso. O motivo é que, segundo o destino, ainda não era a hora de partir.
- Agora que ela se aproxima do momento da ‘morte definitiva’ (Mahamrutyuyoga), a decisão judicial foi favorável ao pedido de eutanásia feito por seu pai.
- Para pessoas que estão destinadas a morrer em um momento específico, de acordo com o período de “morte definitiva” em suas vidas, elas morrerão nesse momento, com ou sem eutanásia. No entanto, na maioria dos casos, a causa da morte definitiva não se deve à eutanásia, mas devido a outras causas naturais.
6. O que pode ser feito por um paciente terminal em cuidados paliativos?

Os cuidados paliativos consistem no cuidado físico, emocional e espiritual de uma pessoa em fase terminal quando a cura não é possível. Isso engloba compaixão e apoio à família e aos amigos. No entanto, nem sempre os cuidados paliativos holísticos estão disponíveis.
Uma pesquisa (EUA, 2001) mostrou que pacientes terminais passavam a maior parte do tempo sozinhos, recebendo poucas visitas de profissionais de saúde ou familiares. Ref. BBC sobre eutanásia.
Uma pesquisa mostrou que 45% dos pacientes que receberam bons cuidados paliativos mudaram de ideia sobre a eutanásia. (Referência: BBC sobre eutanásia)
Seguem alguns pontos que podem ser levados em consideração ao fornecer cuidados paliativos a uma pessoa em fase terminal:
- Incapacidade de praticar espiritualidade: A maioria das pessoas não pratica espiritualidade de acordo com os 6 princípios básicos. Se uma pessoa não praticava a espiritualidade conforme esses 6 princípios básicos antes de adoecer gravemente, torna-se muito difícil iniciá-la nessa fase tardia e em condições adversas.
- Aumento de Raja-Tama: Devido ao aumento de Raja-Tama com o início da doença e a proximidade da morte, uma grande porcentagem de pacientes terminais é afetada por espíritos (demônios, diabos, energias negativas, etc.). Essas energias negativas tentam então assumir o controle do corpo sutil da pessoa após a sua morte.
- Importância da proteção espiritual: O aspecto mais importante dos cuidados paliativos é o espiritual. Para o paciente, a proteção espiritual contra espíritos (demônios, diabos, energias negativas, etc.) é fundamental, mesmo que o crescimento espiritual seja improvável.
- Qual remédio espiritual: O uso de remédios de cura espiritual é fundamental para proporcionar ao paciente uma capa protetora sutil. É muito importante que o remédio de cura espiritual correto seja utilizado para que seja eficaz. Na maioria dos casos, como as pessoas não têm acesso ao conhecimento sutil, não podem ter certeza sobre qual remédio para empregar para a cura espiritual. Cantar um mantra no quarto de um paciente terminal ou em estado vegetativo ajudará a criar essa proteção. Os seguintes mantras são recomendados para pacientes terminais e para pacientes em estado vegetativo:
- Nos tempos atuais, recomenda-se entoar os cantos Shrī Gurudev Datta para problemas ancestrais: e Om Namo Bhagavate Vāsudevāya ao longo do dia, durante 6 horas e 18 horas, respectivamente.
- A pessoa que presta cuidados paliativos a um paciente deve encarar esse trabalho como satseva, servindo a Deus (a Alma) que reside dentro dessa pessoa.
7 Resumindo
Embora a eutanásia seja um tema muito debatido, é difícil decidir qual posição tomar sem compreender a dimensão espiritual e as leis que regem a vida e a morte. De modo geral, se as decisões estiverem alinhadas com o propósito espiritual da vida, é muito provável que sejam espiritualmente corretas. Infelizmente, os legisladores e os tomadores de decisão não compreendem a dimensão espiritual e, portanto, existem pontos de vista conflitantes.
Além disso, precisamos entender que nada no Universo acontece sem a vontade de Deus. Seria uma visão míope da nossa parte pensar que abreviar nossas vidas por meio da eutanásia seria ir contra a Sua vontade. Tentar compreender e argumentar sobre os desígnios de Deus apenas com nossa mente e intelecto é como tentar estudar o oceano através de uma gota d’água. O destino e a dinâmica de dar e receber influenciam todas as nossas decisões importantes. Consulte a palestra da SSRF Classroom – Por que fazemos o que fazemos.
Finalmente, embora façamos pesquisas espirituais e tentemos compreender este universo, só podemos começar a arranhar a superfície da compreensão do Princípio Divino infinito. Mesmo que a pesquisa espiritual esteja muito além da ciência moderna, a pesquisa, em seu escopo, satisfaz apenas o estágio inicial da jornada espiritual de um buscador. É por essa razão que os Santos na Terra nos incentivam a praticar a espiritualidade para progredirmos espiritualmente, para que possamos transcender nossas limitações mental e intelectual e nos tornar um com Deus. Quando praticamos a espiritualidade e atingimos o nível de Santidade, toda a questão da eutanásia torna-se irrelevante, pois compreendemos e experimentamos que tudo acontece segundo a vontade de Deus e que a prática espiritual é o único foco que devemos ter.